Thursday, June 17, 2010

Decidindo ser feliz

Ontem a noite, sem conseguir dormir, tive um daqueles momentos unicos. Diante de tudo o que venho passando (sozinha num outro pais, minha filha com uma deficiencia, todo o desgaste emocional e mesmo fisico de trabalhar integral e correr atras de tratamentos pra ela) eu resolvi e decidi que vou ser feliz. Agora. Nesse minuto. Pra ontem. E uma decisao e nao algo que vem como fruto de outras bencaos.

Ou seja, eu nao vou esperar minha filha se recuperar pra me sentir feliz, nem vou deixar pra quando ganhar um salario maior ou tiver um emprego que preencha meu espirito. Porque quando essas coisas vierem, um pneu do carro vai furar ou vai dar um problema no aquecimento central em pleno inverno etc.

Nao preciso pensar na desgraca alheia para me sentir melhor. Nao preciso de pena das outras pessoas. Eu preciso mais do meu som bem alto no carro e depois que chegar em casa, dancar e pular com minha gatinha (ela adora o Waka Waka da Shakira, por sinal, nos dancamos muito essa musica da Copa, nao sei se toca no Brasil, achei no youtube).

Tive momentos muito dificeis nos ultimos meses. Cheguei a pensar que nao iria mais conseguir me relacionar
normalmente com as pessoas, pois nao conseguia me desligar do problema da minha filha. Nunca. E nada mais me interessava, eu nao queria pensar em coisas leves, virei a wikipedia de assuntos relacionados ao autismo, pra cada coisa que voce falasse eu tinha uma informacao do banco de dados. Meu emprego tornou-se uma tortura por varios motivos: estar longe dela durante o dia, lidar com meu cansaco mental e emocional, e achar tudo sacal e insignificante diante de uma missao de vida tao enorme que e criar uma crianca especial. Nada mais tinha importancia. Meu equilibrio foi-se pras cucuias.

Isso tudo, eu acho, veio do impulso inicial de encobrir meus sentimentos e querer vestir a capa de super mulher. Forcando-me a aceitar de imediato o que na verdade e um processo longo, de varias etapas, me desgastou. Hoje, posso dizer que ainda estou no inicio da jornada, tenho muito o que aprender. Mas poder admitir que tenho meus momentos de loucura, desanimo e medo do futuro traz uma estranha forma de alivio. Pois tudo vai passar.

Vou concluir com o trecho do que o saudoso Renato Russo da Legiao Urbana cantava:

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido*
Aprendi a viver um dia de cada vez

*Obrigada, Naya, por me ajudar a achar o caminho!